É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento de Joaquim Calhau, aos 84 anos, uma figura incontornável do ativismo sindical e político em Coimbra e na região Centro.
Nasceu em 1941 na Ribeira de Frades (Coimbra) e desde cedo integrou a Juventude Operária Católica na secção de Taveiro. Foi dirigente da JOC e presidiu à Direção Diocesana de Coimbra. Em 1966 participou na fundação do Grupo BASE e também fundou o grupo de Ativistas Sindicais Clandestinos na cidade de Coimbra.
Bancário e Sócio do SBC desde 1968, organiza dois anos depois a primeira lista de oposição no Sindicato dos Bancários do Centro. Em 1974 participou na constituição da Intersindical de Coimbra, mais tarde União dos Sindicatos de Coimbra. Foi Fundador e membro da 1ª Comissão de Trabalhadores do BPSM em Coimbra. Em1975, membro de um grupo de independentes que conquistou a Direcção do Sindicato dos Bancários do Centro. Em 1976, foi designado pela Direcção dos Bancários do Centro, onde era Director, para a lista da União dos Sindicatos da Região Centro
Participou nos grupos que contestaram a lei da unicidade sindical em 1977.
O ativismo político de Joaquim Calhau passou pelo apoio à candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo em 1986. Em Coimbra teve intervenção autárquica enquanto líder da bancada socialista na Freguesia de Santo António dos Olivais. Mais tarde foi viver para Miranda do Corvo, onde manteve o seu compromisso cívico, sendo candidato independente nas listas do Bloco de Esquerda nas eleições autárquicas de 2009, 2013 e 2017.
Mais recentemente e depois de abandonar a vida sindical activa, dedicou-se à escrita tendo publicado o romance “A pedra e o tempo” e a obra de memórias “Memórias de um sindicalista”.
Quis o destino que nos deixasse em vésperas de greve geral. Honremos a sua memória, lembrando o seu inquebrável espírito de luta e a sua dedicação à causa dos direitos dos trabalhadores e à democracia.


