O SBC participou, a convite da Câmara Municipal de Coimbra e da CPPME – Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, no webinar “Impactos das tempestades no tecido empresarial Português”, realizado no passado dia 11 de fevereiro.

Na sessão contou com mais de 80 participantes, maioritariamente provenientes das áreas mais afetadas pelas intempéries, reunindo associações empresariais, municípios e representantes de diversos setores de atividade, entre os quais a Abimota, Caldas de Penacova, Águas do Centro Litoral, associações empresariais de diversas regiões, empresas de construção civil, Indústrias Aeronáuticas de Coimbra, entre outros, foi traçado um quadro particularmente duro da realidade no terreno. Foram relatados elevados níveis de destruição patrimonial em empresas e habitações, dificuldades na obtenção de orçamentos para acionar seguros, ausência de seguros em muitas situações e uma forte pressão para retomar a atividade, por vezes com riscos acrescidos para a segurança, como infelizmente tem vindo a ser noticiado, a par da instabilidade da rede elétrica que ainda se verifica.

Foi ainda partilhada uma dimensão menos visível da crise, mas não menos importante, o impacto profundo na saúde mental das populações afetadas, tendo sido referidos casos de desespero associados à perda total de bens e à incapacidade de reconstrução, incluindo situações mais extremas recentemente registadas na região de Leiria. Este dado reforça que estamos perante uma crise com consequências sociais e humanas muito mais densas do que aquelas que têm sido amplamente divulgadas, a curto, médio e longo prazo.

Do ponto de vista empresarial, sublinhou-se a hesitação de muitas empresas em retomar a laboração face à incerteza quanto aos apoios e à viabilidade económica futura. Jorge Camarneiro, empresário de Montemor-o-Velho, alertou que o chamado “layoff simplificado” está longe de ser simples na sua aplicação prática e recordou que os prejuízos não se limitam às zonas diretamente atingidas. O impacto estende-se a toda a economia regional. Foi referido, como exemplo, o Centro Náutico de Montemor-o-Velho, que aguardava o estágio de seleções internacionais cuja estadia na região foi cancelada, representando perdas significativas para o setor do alojamento e restauração e comprometendo a retoma a curto prazo.

Foi também defendida a necessidade de encontrar uma resposta pública rápida, excecional e proporcional à dimensão dos danos. Entre as medidas apontadas estiveram o reforço e simplificação efetiva do layoff, apoios diretos a fundo perdido, linhas de crédito específicas, moratórias automáticas ou campanhas de dinamização do comércio local.

O SBC participou nesta reunião numa perspetiva de visão abrangente sobre o estado do tecido empresarial nas regiões mais afetadas, em particular nos distritos de Coimbra e Leiria, onde tem forte implantação sindical. Para além do impacto económico, registamos com preocupação as consequências sociais e humanas a médio prazo, nomeadamente na saúde mental dos trabalhadores e também da população em geeral e na capacidade de recuperação das atividades económicas.

O Sindicato endereça a todos os trabalhadores, empresários e famílias afetadas pela Tempestade Kristin a sua mais sentida solidariedade e está a avaliar formas concretas de contribuir para a recuperação das regiões atingidas.