O SBC não é contra os aumentos dos administradores no setor financeiro.
Se a valorização de quem está no topo da banca cresce 6,9%, poderia ser uma boa notícia.
A pergunta que fica é, no entanto, esta: por que razão essa mesma capacidade de valorização não se aplica aos trabalhadores bancários?
Em 2025, a remuneração média dos administradores não executivos do setor financeiro em Portugal aumentou, segundo relatório da EY citado pela imprensa, 6,9%, atingindo cerca de 235 mil euros anuais.
No mesmo ano, os trabalhadores bancários tiveram uma atualização salarial de 2,5%.
E, para 2026, a banca insiste numa proposta de apenas 2% para a atualização das tabelas salariais, precisamente a proposta que o SBC, o Mais e o SBN rejeitaram por ser insuficiente.
Não está em causa o aumento dos administradores.
6,9% não é demasiado. Demasiado é considerar que 2% é suficiente para quem trabalha nos bancos quando existem outras formas de valorização dentro da mesma atividade.
A questão não é retirar a uns para dar a outros.
É reconhecer que, se existe capacidade para valorizar significativamente mais quem está no topo, essa capacidade também deve chegar a quem, todos os dias, cria valor e assegura o funcionamento dos bancos.
Porque um banco não é apenas o seu conselho de administração.
É quem está numa agência. Quem atende um cliente. Quem analisa um crédito. Quem trabalha nas operações, na tecnologia, no risco, no compliance e nos serviços centrais. São milhares de trabalhadores que, diariamente, garantem que a atividade bancária acontece.
Se o valor é criado por toda a organização, a valorização também deve ser.
Não aceitamos uma banca a duas velocidades, uma em que há margem para aumentos de 6,9% e outra em que se pede aos trabalhadores que aceitem 2% como se essa fosse a única realidade possível.
Não queremos que os administradores ganhem menos.
Queremos que os bancários não sejam valorizados menos.
É essa diferença que está em causa.
É contra esta desigualdade na distribuição da valorização que o SBC se afirma e continuará a lutar.
Uma banca. Um compromisso. Uma valorização que tem de chegar a todos.
A Direção


